Ibrox Stadium nos anos 20, antes de ser adaptado em módulos |
Olhar para o futuro sem se esquecer do passado. Esse é um
dos grandes paradigmas das adaptações dos antigos estádios em modernas arenas
que são planejadas ao redor do planeta.
Pensando nisso trouxemos algumas interessantes soluções encontradas
por clubes que desejam modernizar seus estádios, entretanto não abrem mão de
manter suas tradicionais estruturas, cheias de história.
Esse fato acontece também aqui no Brasil. Recentemente o
C.R. Vasco da Gama anunciou a iniciativa de reformar o tradicionalíssimo
estádio de São Januário, porém a ideia da direção do clube é que a entrada
principal seja mantida. Aliás, a preocupação com a preservação desse item
histórico é tão grande, que antes mesmo da confirmação da reestruturação do
estádio os traços originais da “Colina Histórica” já foi iniciada.
- O Vasco tem a mais bela e interessante história do futebol
nacional. Daí, o nosso cuidado com as tradições, o nosso maior patrimônio. A
recuperação da fachada de São Januário é prova disso. Quanto mais bonita e
vistosa, mais viva se torna para nós vascaínos a história do Gigante em nossa
memória - afirmou o presidente do clube, Roberto Dinamite, na ocasião do
anúncio da reforma.
Fachada preservada no Villa Park, na Inglaterra |
Pelo mundo afora também temos diversos exemplos que podem
servir de inspiração para aqueles que desejam seguir em frente, rumo à
modernização, sem abandonar o que foi construído ao longo dos anos.
O inglês Aston Villa, por exemplo, é o responsável pelo Villa
Park, construído em 1897 para partidas de críquete. Entre as diversas reformas e adaptações, o
estádio que chegou a receber mais de 75 mil torcedores para assistir uma
partida contra o Derby County, em 1946, hoje tem capacidade para sediar
partidas com até 42.785 espectadores.
Por se tratar de uma relíquia do futebol inglês, a direção
do clube optou por investir no conforto interno ao invés de criar novas opções
aos clientes, como a construção de centros comerciais ou hotéis. Os dirigentes
entenderam que essas opções já eram atendidas pela estrutura das cercanias e preservaram
a fachada e toda a história que por ali havia acontecido. Hoje o visitante que
vai ao Villa Park, além de assistir a uma partida de futebol, também pode
conhecer a história local realizando o tour, que custa £12.95.
A direção do Aston Villa optou por valorizar o lado histórico do estádio, inaugurado no século IXX |
Já o exemplo que vem da Escócia, além de também ser repleto
de valor histórico, é a prova concreta de que mesmo preservando o passado
podemos seguir olhando para o futuro. O Ibrox Stadium, situado na cidade de
Glasgow, foi classificado pela FIFA como 5 estrelas e está apto a sediar jogos
finais da Liga dos Campeões e da Copa da UEFA.
O Ibrox Stadium hoje em dia com sua fachada preservada |
Mesmo com todas essas credenciais, um desavisado visitante pode
achar que está passando diante de uma antiga fábrica, pois toda a fachada
original do Ibrox foi preservada pelo Rangers FC, que administra a arena. O
estádio foi inaugurado em 1899 e podia sediar eventos de até 4.500 torcedores. Ao longo de sua história, a arena chegou a
receber 75.000 pessoas, entretanto hoje em dia sua capacidade máxima é de
51.000 visitantes.
O estádio foi palco de uma das maiores tragédias da história
do futebol mundial, quando, em 1971, 66 torcedores foram mortos em uma partida
contra o Celtics e desde então diversas adaptações foram realizadas visando
oferecer segurança e conforto para os clientes que ali passam. Entre elas a
obrigatoriedade de todos os torcedores estarem sentados e a criação de 3
diferentes módulos para as torcidas, projeto que foi inspirado no estádio de
Dortmund, na Alemanha, em 1978.
Na América Latina o exemplo de preservação de fachada vem do
México, mais precisamente do Estádio Olímpico Universitário, que foi construído
em 1952, e hoje é administrado pelo Pumas.
O Estádio Olímpico Universitário conta com obras de Diego Rivera em sua fachada |
Considerado como um dos mais belos estádios do mundo, sua
entrada principal pode ser apontada como um dos pontos mais valorizados do
local, que em sua fachada leste conta com a obra do artista plástico Diego
Rivera, que retratou ali cenas esportivas através de seus traços marcantes.
Mesmo não tendo finalizado sua obra, pois faleceu 5 anos
após a inauguração do estádio, Diego Rivera, é tido como uma das maiores
referências do muralismo, e incluiu o
estádio em um outro patamar, sendo considerado uma verdadeira obra de arte.
Além
de seu valor cultural, o estádio situado na Cidade do México, também foi sede
dos Jogos Olímpicos de 1968 e da Copa do Mundo de 1986.
* Por Rodrigo Calvoso
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